Não tive tempo (nem espírito), para ler comentários, responder, nem postar coisinhas novas, mas como já tinha "isto" em atraso. Cá está.... Grave, a tua recompensa para o "Quotations Day n.1"(Usa-o como quiseres.) =) Não é nada de extrordinário, mas prometo que para a próxima será melhor . Prometo também voltar muito em breve (quem sabe ainda hoje) e a valer!
Brother: - *finge estar a transformar-se num lobisomem* Eu: - Isso é hereditário? Brother: -Tens um pai que já disse uma vez que queria ser o Hulk. Um irmão lobiscamionista, uma mãe que está sempre a cozinhar e troca o nome às pessoas, uma irmã que não pára nos stops! Ainda perguntas?
Todos os dias depois do jantar, faça chuva ou não, o meu pai, que tem mais do triplo da minha idade, veste a sua gabardina, põe o seu boné, pega num chapéu de chuva, calça uns ténis amarelos fluorescentes com caixa de ar (maldita sugestão minha), coloca um fox ligado no cinto e vai a pé até ao café e vem... em velocidade de marcha. Se virem algo semelhante a isto na rua, não se assustem, não é o Jack, o Estripador. É o meu progenitor: Eu percebo os benefícios a nível de saúde, e até compreendo que o fox e os ténis na cor berrante são para segurança. Mas uma aparência como a supra mencionada, já lhe valeu piadas como:
- Pai, pareces um veículo longo, com luzinhas de lado a avisar que estás a passar.
OU
- Já chegou a altura dos pirilampos?
Eu gozo, gozo, mas vou morrer antes dele, porque fico com o rabo sentado a escrever neste blogue, em vez de ir com o rabo a "pirilampear" para dar uma caminhada.
(Não se assustem com o tamanho do post. O layout deste blog é que o faz ter este comprimento assustador.) De: Martin Scorsese Baseado na obra de: Dennis Lebane "Shutter Island" Com: Leonardo DiCaprio Ben Kingsley Mark Ruffalo Max von Sydow
Sinopse Leonardo DiCaprio (Titanic, The Aviator, The Departed) é Teddy Daniels, um investigador que acompanhado com o seu colega Chuck Aule, interpretado por Mark Ruffalo (Ensaio sobre a Cegueira),vão para uma ilha remota, Shutter Island, onde está localizado o Hospital de Ashecliffe, uma instituição que hospeda e trata criminosos com problemas psicológicos graves. Apesar de terem sido enviados para investigar o desaparecimento de uma prisioneira, Terry difere da sua missão, tentando descobrir a verdade sobre a instituição.Plano de Fundo É difícil falar deste filme e do enredo sem relevar demais. Vou tentar evitar spoilers, porque acho verdadeiramente que este filme merece ser visto sem se saber muito sobre ele.
Vamos estabelecer o tom do filme:
Tudo nele grita Noir, Gótico, Hitchcock, Buñuel, Edgar Allan Poe!De facto, enquanto via o filme, o estilo Gótico fez-me lembrar imediatamente The Birds, e um toque a surrealismo fez-me pensar Robert Wiene. Confirmei as minhas suspeitas quando li as notas de produção, onde se afirmava que Martin Scorsese, enquanto lia o guião, associou-o ao The Cabinet of Dr.Caligari.
Como Scorsese já nos habituou, e se revelou mestre, em todos os seus trabalhos : o filme é perfeito no que trata a explorar os sentimentos de culpa, paranóia e tensão. De facto, o ambiente era tão claustrofóbico, que eu estava constantemente tensa, ansiosa e colada à cadeira com a sobrancelha franzida.
O filme é baseado na obra "Shutter Island", de Dennis Lebane, autor do livro "Mystic River", e "Gone Baby Gone" que também já foram adaptados para cinema. O registo gótico permaneceu intacto, das páginas do livro para o ecrã.
O Melhor É bom ver o amadurecimento de Leonardo DiCaprio, através do grande ecrã, ao longo dos anos. No papel de Terry Daniels, ele presenteia-nos com um fantástico desempenho, cheio de "camadas" e juro que me começava a doer a cabeça só de vê-lo sofrer com as enxaquecas.
Mark Ruffalo é um deleite para os olhos, já que quase parece ser o anjo, o companheiro, o verdadeiro da história...e fá-lo tão bem. O filme é rico em dualidades, o que é sempre fascinante e enriquece a história. Todos têm duas versões e os temas dividem-se sempre entre o "bem e mal", "yin e yang", "guerra e paz", "herói, vilão"... A nível de cenário e vestuário, nada a apontar. Os edifícios são monstruosos, negros e têm o elemento sobrenatural q.b. para se ajustarem a todo o molde do filme. Belíssimo, esteticamente.
Apesar de a meio do filme já termos uma ideia de como vai terminar o filme, não é previsível, porque acabam sempre por haver pequenos "twists and turns". O Não tão bom Não é o melhor trabalho de Scorsese, e o problema de ter vindo logo a seguir ao "The Departed" é exactamente esse: é um trabalho bom, mas em comparação com o anterior, é fraco. Mas não deixa de ser um bom filme! E é isso que é fascinante em Scorsese: ele entrega-nos grandes obras primas, como o The Departed mas depois volta sempre às origens e a um registo mais familiar: a irreverência do realizador em aceitar este filme torna-o também interessante.
O primeiro diálogo e algumas cenas iniciais fizeram-me pensar "isto vai ser uma desilusão", mas a partir da meia-hora, comecei a ficar interessada pela história, e a minha opinião mudou radicalmente.
O Pior Não é necessariamente o pior, mas para quem odeia filmes que parecem inacabados, ou deixam o final em aberto, para a audiência dar a sua própria interpretação, este filme não é para eles.
Será que os loose ends resultam de problemas de produção/realização (não creio), ou fazem parte de todo o tom demente do filme?
Veredicto final Adoro temas relacionados com a psicologia humana e este é particularmente pertinente: será que o louco é realmente louco, ou somos nós que estamos loucos e não conseguimos ver a verdade?Quem é que está louco: Nós ou o Mundo?
Um filme com boas interpretações, visualmente perfeito, interessante e consistente... Eu aconselho.
Conselho É pesado. A quem costuma ir ao cinema, por ir, não aconselho. Não vai sair mais leve, nem mais alegre. Eu saí com uma dor de cabeça, pesada, triste e pensativa.
Fun Fact Lobotomia é um tema recorrente durante o filme. Sabem quem é que desenvolveu a prática de lobotomia (mais correctamente designada de leucotomia)? O nosso prémio Nobel da Medicina: Dr. Egas Moniz.